Felicidade

FELICIDADE

(Guilherme de Almeida)

Ela veio bater à minha porta
e falou-me, a sorrir, subindo a escada:
"Bom dia, árvore velha e desfolhada!"
E eu respondi: "Bom dia, folha morta!"

Entrou: e nunca mais me disse nada...
Até que um dia (quando, pouco importa!)
houve canções na ramaria torta
e houve bandos de noivos pela estrada...

Então, chamou-me e disse: "Vou-me embora!
Sou a Felicidade! Vive agora
da lembrança do muito que te fiz!"

E foi assim que, em plena primavera,
só quando ela partiu, contou quem era...
E nunca mais eu me senti feliz!

Amo-te... Das coisas que eu amo visceralmente


***
***


Elizabeth Barrett Browning (Coxhoe, Durham, 6 de Março de 1806 — Florença, 29 de Junho de 1861) foi uma poetisa inglesa da época vitoriana.

Autora de Sonetos Traduzidos do Português, reunião de poemas românticos — sua própria história de amor com o marido, o também poeta Robert Browning. Um destes poemas (o de número 23) é considerado o mais belo escrito por uma mulher em língua inglesa:

Amo-te... Das coisas que eu amo visceralmente
(por Elizabeth Browning, tradução de Manuel Bandeira)

Amo-te quanto em largo, alto e profundo
Minh'alma alcança quando, transportada,
Sente, alongando os olhos deste mundo,
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.

Amo-te em cada dia, hora e segundo:
A luz do sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.

Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.

Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte.
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Silêncio... é Natal...


É tempo de Emoções....

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Índice das mensagens e poemas do blog

Não te gosto em silêncio (JG.de Araujo Jorge)

Não Te Gosto em Silêncio

Não te gosto em silêncio porque te sinto distante...
Entre tua boca e a palavra mora talvez minha angústia
como entre o dia e a noite
vacila a longa dúvida do crepúsculo.

Não te gosto em silêncio, quando há em teus olhos, pousados,
dois estranhos pássaros noturnos,
e teus lábios emudecem como a fonte nos ásperos
e intermináveis invernos.

Não te gosto em silêncio quando te envolves com as coisas
que te cercam, como se fosses uma delas,
quando estás como as águas paradas, cuja beleza
é apenas o reflexo das estrelas.

Por isto te provoco é te atiro perguntas
como pedras quebrando a impassibilidade do lago,
como pancadas no gongo que estremece e vibra
e te traz à tona para mim.

Não te gosto em silêncio, porque parece que atrás de tua voz
ainda se esconde alguém que tu própria não conheces,
a alguém embuçado a ameaçar nosso sonho
e que só tuas palavras poderão expulsar.

Não te gosto em silêncio, porque preciso ainda de tua palavra
para te descobrir,
lanterna adiante de meu passo, alvorada desenterrando
na noite emaranhada meu indeciso caminho.

Porque preciso ainda que tua palavra chegue como um vento forte
arrastando nuvens, limpando céus e horizontes,
levando folhas doentes, te descobrindo ao sol...
.
Um dia te gostarei em silêncio. E então me recolherei em teu silêncio,
e procurarei a sombra, como o pássaro na hora da tarde,
e porque o sol estará em nós e nada turvará meu pensamento,
entre tua boca e a palavra haverá apenas o meu beijo.


JG.de Araujo Jorge

Lago dos Cisnes (J.G. de Araujo Jorge)

Lago dos Cisnes


Foram meus olhos, duas asas tontas
que ao teu redor, como ao redor da luz
queimaram suas ânsias e ficaram
mortos no chão, como cigarras mortas...

No bailado em que estavas, sobre o palco,
meu desejo - esse fauno de alma triste,
tomaria teu corpo e bailaria
até que o mundo se fundisse ao sonho...

Olhos de luar e vinho que me seguem
na ária da solidão em que me envolvo
sem volta, sem partida, sem transcurso...

Foram meus olhos que te descobriram
e ficaram vagando esse abandono
de cisne branco sobre o lago imenso...

J.G. de Araujo Jorge

Era música... (J.G. de Araujo Jorge)

Era música..

E então soprou um vento de ternura intensa.
E as nuvens se dispersaram, e eu vi que meu coração emergia
como um alto cume de montanha, dourado de sol,
musicado de pássaros e águas.

Olhava teus olhos, tuas mãos, teus cabelos, teu corpo...
Teu corpo era como um caminho sinuoso por onde saí desesperado
a procurar-te.

E, de repente, tomei-te nos braços, afaguei-te a cintura,
recolhi-te ao meu peito.
Teu coração inquieto pulsava mais que o córrego das montanhas,
batia asas de pássaro encandeado.

E de repente saímos livres e felizes, como simples animais de Deus
com a direção dos ventos.

Faminto, colhi-te como um fruto! Sedento, bebi-te como a água!
Marquei meus dentes em tua carne
e escorreste pela minha boca, pelo meu pescoço, pelo meu peito.

Meus braços foram tuas formas. Minhas mãos te conheceram.
Desmanchei-te os cabelos, e me perdi.
Nossas bocas se uniram, e se esqueceram.

Tatearam meus lábios escalando cumes, devassando vales.

E fiquei em ti, vivo e silencioso, como o sangue nas veias,
como a seiva na raiz.
E desci sobre ti e me entranhei, como a chuva descendo e molhando.
E quando falamos: era música. em tua vida!

J.G. de Araujo Jorge

Esta Saudade (JG. de Araujo Jorge)

Esta Saudade


Esta saudade és tu... E é toda feita
de ti, dos teus cabelos, dos teus olhos
que permanecem como estrelas vagas:
dos anseios de amor, coagulados.

Esta saudade és tu... É esse teu jeito
de pomba mansa nos meus braços quieta;
é a tua voz tecida de silêncio
nas palavras de amor que ainda sussurram...

Esta saudade são teus seios brancos;
tuas carícias que ainda estão comigo
deixando insones todos os sentidos.

Esta saudade és tu... é a tua falta
viva, em meu corpo, na minha alma, viva,
... enquanto eu morro no meu pensamento.


J.G.de Araujo Jorge

Trovas de Bastos Tigre - 41 a 52

41
Como infeliz é esta gente
que pensa que ser feliz
é não dizer o que sente
e não sentir o que diz!

42
"Ano novo, vida nova"
Frase falsa e descabida
pois cada ano se renova
sem que se renove a vida.

43
Neste mundo, companheiros,
nos irmana a mesma sorte;
somos todos prisioneiros
e condenados à morte.

44
Alma e corpo juntos vivem
e o porco vive na lama.
"Porco" é anagrama de "corpo"
e "lama" é de "alma" anagrama.

45
Cora a moral, fica rubra,
ante a imodéstia; pois, certo,
é feio que se descubra
o que deve ser coberto.

46
Jurar é falar a esmo,
é prometer sem pensar.
Juras não faças; nem mesmo
a jura de não jurar.

47
Se a mulher que está contigo
vive do "outro" a dizer mal,
tem cuidado, meu amigo,
ela inda ama o teu rival.

48
A Saudade é calculada
por algarismos também:
distância multiplicada
pelo fator "querer bem".

49
A dor até me parece
um prêmio, em vez de castigo,
inda mais se quem padece
é um tipo nosso inimigo.

50
Quanta palavra bonita!
Quanto perdido latim!
E quanta cera erudita
pra defunto tão ruim!

51
Como será compreendida
a incongruência da sorte?
Pois há quem nasça sem vida
e ninguém morre sem morte.

52
Eu, neste assunto de esmola
sem ambições me suponho:
estendo a minha sacola
peço um bocado de sonho...

Trovas de Bastos Tigre - 31 a 40

31
Se te olho de quando em quando,
por Deus, não é por mau fim;
é que estou verificando
se tu olhas para mim.
32
O calor em demasia
cresta e mata os vegetais
e morre o amor de asfixia,
quando o ciúme é demais.
33
Um sonho é ter-te ao meu lado,
a te ver, ouvir, palpar...
Que bom sonhar acordado
sem perigo de acordar!
34
A brisa do sentimento
aviva do amor o lume
se sopra do egoísmo o vento
irrompe o incêndio do ciúme.
35
O meu coração é o cofre
que as minhas dores contém
e as dores que você sofre
eu nele guardo-as também.
36
Elo de ouro! És a esperança
de horas risonhas e calmas!
Felizes dos que, na aliança,
acham a aliança das almas.
37
Saudade - um suspiro, uma ânsia,
uma vontade de ver
a quem nos vê à distância
com os olhos do bem-querer.
38
LIBERDADE - O cidadão
livre, tem todo o direito
de fazer o que o patrão
acha que deve ser feito.
39
PATRIOTA - Disposto à guerra
ferve-lhe o sangue nas veias.
Acha que amar sua terra
é odiar as terras alheias.
40
Da morte a sentença impressa
trazemos desde o nascer:
assim que a vida começa
começa a gente a morrer.

Trovas de Bastos Tigre - 21 a 30

21
A mulher que nos rejeita,
firme, em recusas formais,
se, enfim, nosso amor aceita
não quer que ele acabe mais.
22
Dinheiro não há que abrande
a dor que um peito magoa:
uma coisa é " sorte grande"
outra coisa é " sorte boa ".
23
Idéias tristes da vida
eu as esqueço e abandono:
de dia - por muita lida,
de noite - por muito sono.
24
“O cão que ladra não morde”.
Permitam que nesta quadra
eu do provérbio discorde:
sim, não morde... enquanto ladra.
25
Amizades são incertas.
Ao fazê-las, desconfia:
esta mão que agora apertas
bem pode espancar-te um dia.
26
Dos fortes seguindo a trilha,
despreza a quem te magoa;
porém, se o ofensor se humilha,
então, vinga-te: - perdoa.
27
É bem verdade. A riqueza
é dom que a todos ilude.
A vida só tem beleza
para quem goza saúde.
28
Um longo olhar que se lança
numa carta ou numa flor;
Saudade - irmã da Esperança,
Saudade - filha do Amor.
29
Vós namorados, vós sois
tão egoístas que pensais:
- No mundo, além de nós dois,
qualquer pessoa é demais!
30
Por ti de longe me inflamo,
mas se me encontro contigo,
quero dizer-te que te amo
mas quem disse que te digo?

Trovas de Bastos Tigre - 11 a 20

11
Meu amor enche-me a vida
e eu vivo feliz assim.
Basta que gostes, querida,
de ser querida por mim.
12
Para se amar é preciso,
de todo, o juízo perder;
ter-se a um tempo, amor e juízo,
isto é que não pode ser.
13
Um filósofo de peso
é desta sentença o autor:
o beijo é fósforo aceso
"na palha seca do amor".
14
Saudade, meiga Saudade
filha do amor e da ausência,
és a nossa mocidade
durante toda a existência.
15
Namorados. Para ouvi-los
faço, ao lado esforços vãos,
Como dois mudos, tranqüilos,
falam somente com as mãos.
16
Se a mulher sincera fosse,
sincera como o homem quer,
era uma vez... acabou-se
todo o encanto da mulher.
17
Depois de uma vida airada,
ao céu quis ir sem licença.
São Pedro pede-lhe a entrada-
e o morto, arrogante: - Imprensa!
18
Trocar idéias contigo ?
É possível, mas escuta:
quero ver, primeiro, o artigo
que ofereces à permuta.
19
Amigos - todos os temos
"ao nosso inteiro dispor",
mas até que precisemos
de algum pequeno favor.
20
Quando nós, discretamente
ficamos conosco a sós,
é que ouvimos quanta gente
chora e ri dentro de nós.

Trovas de Bastos Tigre - 1 a 10


n.01
Saudade, palavra doce,
que traduz tanto amargor!
Saudade é como se fosse
espinho cheirando a flor.

02
Aliança! Algema divina,
a mais doce das prisões;
uma prisão pequenina
que encerra dois corações.

03
Quando Deus fez Portugal
lá plantou com sua mão
na terra; vinha e trigal.
e o fado no coração.

04
Pela ponte lá da praia
vieste cá me visitar;
Deus queira que a ponte caia
quando quiseres voltar.

05
Ama a tua arte. Por ela
faze o bem: ama e perdoa.
A bondade é sempre bela,
a beleza é sempre boa.

06
Maldigo quem te ache feia,
quem te ache bela também.
Quero mal a quem te odeia
e odeio a quem te quer bem.

07
Mente o peito que suspira?
O beijo é só falsidade?
Bendigamos a mentira
se ela é melhor que a verdade.

08
No amor não há diferença:
nós mentimos, vós mentis...
E, se um diz o que não pensa,
outro o que pensa não diz.

09
Você diz que é cego o amor...
Como se engana você!
Fecha os olhos o impostor
para fingir que não vê.

10
Com tuas frias maneiras
eu não me incomodo, pois,
embora tu não me queiras,
meu amor vale por dois.

Saudade Navegante...

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Saudade Navegante...

Tem sido a existência um vasto oceano

De fases inconstantes, de instabilidade;

Hoje, à deriva, flutuo na saudade,

Em abandono, a esmo, à nau do desengano...

Agora minhas horas vagueiam lentamente

E, após o entardecer, aumenta a agonia

Que torna o dia - noite -, transforma noite em dia;

Por sorte, existe a lua, a leal confidente,

Magia prateada que instiga a recordar,

Em ondas do passado me impele a navegar

No barco de quimeras deste arfante peito...

E, em tantos devaneios, me ponho a delirar

Que a névoa dos diáfanos raios de luar

Vem nos cobrir de sonho em nosso ardente leito...


©Oriza Martins

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Quero gritar que te amo


Quero gritar que te amo

Quero gritar que te amo

Para o mundo inteiro ouvir;

Vou contar aos passarinhos,

Ás borboletas, às flores,

Que, dentre tantos amores,

Ninguém se igualou a ti.

Quero gritar que te amo,

Espalhar aos quatro ventos

Meus desejos, pensamentos,

Pelo teu ser fascinados...

Quero cantar, sussurrar,

Silenciar e falar

Até a alma fartar

Sob o som de meus recados...


Quero gritar que te amo...


Paixão que arde no peito

Não faz discernir direito

Entre que é errado ou certo.

Arrebenta o coração

Que, tremendo de emoção,

Explode, expõe-se, aberto...

Esta paixão que me inspira,

Que sustenta minha lira,

Por que eu clamo e reclamo

É o que me impele a sair,

A cantar pro mundo ouvir,

Quero gritar que te amo!!


©Oriza Martins

Teu Corpo (Piero Valmart)

Teu corpo



Teu corpo é um templo divino
Meu nirvana e desatino,
Morada de meus prazeres,
A primavera em essência,
Que me faz, nesta existência,
O mais feliz entre os seres;

Meu predileto brinquedo,
Onde, ansioso, sem medo,
Me delicio a valer,
É este corpo adorado,
Entre profano e sagrado,
A razão de meu viver.


© Piero Valmart
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